terça-feira, 15 de outubro de 2013
O gigante adormecido despertou
O gigante adormecido despertou
As grandes mobilizações populares que tomaram conta do país nos dias de junho, por ocasião da realização do evento internacional denominado Copa das Confederações, foram eventos de enorme significado para a democracia brasileira. Eles denunciavam a corrupção e o descaso com a saúde, a educação e o transporte público, lembrando os acontecimentos que mobilizaram a juventude e sindicalistas brasileiros em todos os cantos do país, em 1992.
O país estava adormecido pela recessão e pelo medo das demissões promovidas pelo governo da época. Os jovens brasileiros, de caras pintadas de verde-amarelo, foram às ruas em todo o Brasil para exigir a queda do Governo corrupto de Fernando Collor.
O país vivia no início dos anos 90 uma situação de irregularidade política em plena democracia, após a reforma do Estado que privatizou os serviços públicos essenciais e os setores estratégicos da economia. Com a reforma administrativa veio a perseguição aos servidores públicos e aposentados. Governo sem lei, Collor não gostava de velhos, era um homem desportista, corria com seu séquito de bajuladores todas as manhãs ao redor do lago de Brasília.
A previdência social era um antro de corrupção e maracutaias. O governo não tinha recursos para pagar os pensionistas e aposentados porque as grandes empresas sonegavam as suas contribuições; assim, os parcos recursos dos assalariados eram surrupiados pelos altos escalões do governo. O Ministro do Trabalho, antigo pelego do movimento sindical, realizava as negociatas mais escabrosas, em troca de polpudas propinas em dólares. O ministro da Saúde comprou milhares de bicicletas e mochilas superfaturadas e sem licitação em troca de gordas propinas, alegando urgência na campanha para combater a cólera. E ainda tem o caso do ministro do Exército, que comprou uniformes para a tropa com preços cinco vezes acima dos preços do mercado.
Nas vésperas da Conferência Internacional sobre o meio ambiente no Rio de Janeiro, a RIO-92, Collor instalou uma milícia para-militar, que ficou conhecida por utilizar-se da perseguição assassina aos meninos de rua e aos mendigos.
A indignação se avolumou e tomou conta do país, e junto com a juventude, todos ocuparam as ruas das grandes cidades exigindo o impeachment do governo. Cercando o Congresso Nacional foi dado o veredito final de Collor e sua quadrilha de corruptos, que se retiraram cabisbaixos do Palácio do Planalto.
Exatamente dez anos depois do “fora Collor” o Brasil se mobilizou para eleger Lula, o grande líder dos trabalhadores brasileiros, que adotou uma prática populista, cooptou grande parcela das lideranças sindicais e políticas. Sua popularidade cresceu enormemente, fato que permitiu o entorpecimento dos movimentos populares e estudantis. A corrupção que tomou conta do governo lulista em seus dois mandatos veio à tona desde o primeiro ano de seu governo, com o esquema denominado “mensalão”, mas o país continuou adormecido.
Quando veio a crise mundial, em 2008, Lula estimulou o consumo, endividado as classes médias e oferecendo aos grandes capitalistas da indústria automobilística redução drástica dos impostos, inundando as grandes cidades com frotas gigantescas, sem nada realizar na infraestrutura nas cidades, para manter a mobilidade urbana em níveis aceitáveis. E o transporte público permaneceu caótico.
A corrupção cresceu e contaminou toda a máquina política do governo. Além disto, a saúde pública de tão deteriorada, chegou ao ponto de deixar acontecerem centenas de mortes nas filas de atendimento dos hospitais públicos. A educação não ficou por menos, privatizada e deteriorada em sua qualidade. A segurança pública envolvida em corrupção e crimes violentos.
Os vinte centavos de aumento das passagens nos transportes públicos, reclamados pelos jovens que foram às ruas neste ano, foram apenas a gota d’água que revoltou a população, além dos gigantescos gastos em infraestrutura em estádios suntuosos para abrigar os jogos internacionais da Copa das Confederações e os da Copa a realizar-se em 2014.
Foi assim que o gigante despertou, denunciando a corrupção e repudiando os partidos políticos, a juventude se mobilizou por meio das redes sociais, arrastando uma massa indignada com a falta de compromisso político do governo com aqueles que o elegeram. Agora estão se aproximando novas eleições e os políticos repetem tudo como em épocas anteriores, no jargão das promessas e dos conchavos políticos. Pra onde vai a fraca democracia deste nosso país?
O gigante adormecido despertou
As grandes mobilizações populares que tomaram conta do país nos dias de junho, por ocasião da realização do evento internacional denominado Copa das Confederações, foram eventos de enorme significado para a democracia brasileira. Eles denunciavam a corrupção e o descaso com a saúde, a educação e o transporte público, lembrando os acontecimentos que mobilizaram a juventude e sindicalistas brasileiros em todos os cantos do país, em 1992.
O país estava adormecido pela recessão e pelo medo das demissões promovidas pelo governo da época. Os jovens brasileiros, de caras pintadas de verde-amarelo, foram às ruas em todo o Brasil para exigir a queda do Governo corrupto de Fernando Collor.
O país vivia no início dos anos 90 uma situação de irregularidade política em plena democracia, após a reforma do Estado que privatizou os serviços públicos essenciais e os setores estratégicos da economia. Com a reforma administrativa veio a perseguição aos servidores públicos e aposentados. Governo sem lei, Collor não gostava de velhos, era um homem desportista, corria com seu séquito de bajuladores todas as manhãs ao redor do lago de Brasília.
A previdência social era um antro de corrupção e maracutaias. O governo não tinha recursos para pagar os pensionistas e aposentados porque as grandes empresas sonegavam as suas contribuições; assim, os parcos recursos dos assalariados eram surrupiados pelos altos escalões do governo. O Ministro doTrabalho, antigo pelego do movimento sindical, realizava as negociatas mais escabrosas, em troca de polpudas propinas em dólares. O ministro da Saúde comprou milhares de bicicletas e mochilas superfaturadas e sem licitação em troca de gordas propinas, alegando urgência na campanha para combater a cólera. E ainda tem o caso do ministro do Exército, que comprou uniformes para a tropa com preços cinco vezes acima dos preços do mercado.
Nas vésperas da Conferência Internacional sobre o meio ambiente no Rio de Janeiro, a RIO-92, Collor instalou uma milícia para-militar, que ficou conhecida por utilizar-se da perseguição assassina aos meninos de rua e aos mendigos.
A indignação se avolumou e tomou conta do país, e junto com a juventude, todos ocuparam as ruas das grandes cidades exigindo o impeachment do governo. Cercando o Congresso Nacional foi dado o veredito final de Collor e sua quadrilha de corruptos, que se retiraram cabisbaixos do Palácio do Planalto.
Exatamente dez anos depois do “fora Collor” o Brasil se mobilizou para eleger Lula, o grande líder dos trabalhadores brasileiros, que adotou uma prática populista, cooptou grande parcela das lideranças sindicais e políticas. Sua popularidade cresceu enormemente, fato que permitiu o entorpecimento dos movimentos populares e estudantis. A corrupção que tomou conta do governo lulista em seus dois mandatos veio à tona desde o primeiro ano de seu governo, com o esquema denominado “mensalão”, mas o país continuou adormecido.
Quando veio a crise mundial, em 2008, Lula estimulou o consumo, endividado as classes médias e oferecendo aos grandes capitalistas da indústria automobilística redução drástica dos impostos, inundando as grandes cidades com frotas gigantescas, sem nada realizar na infraestrutura nas cidades, para manter a mobilidade urbana em níveis aceitáveis. E o transporte público permaneceu caótico.
A corrupção cresceu e contaminou toda a máquina política do governo. Além disto, a saúde pública de tão deteriorada, chegou ao ponto de deixar acontecerem centenas de mortes nas filas de atendimento dos hospitais públicos. A educação não ficou por menos, privatizada e deteriorada em sua qualidade. A segurança pública envolvida em corrupção e crimes violentos.
Os vinte centavos de aumento das passagens nos transportes públicos, reclamados pelos jovens que foram às ruas neste ano, foram apenas a gota d’água que revoltou a população, além dos gigantescos gastos em infraestrutura em estádios suntuosos para abrigar os jogos internacionais da Copa das Confederações e os da Copa a realizar-se em 2014.
Foi assim que o gigante despertou, denunciando a corrupção e repudiando os partidos políticos, a juventude se mobilizou por meio das redes sociais, arrastando uma massa indignada com a falta de compromisso político do governo com aqueles que o elegeram. Agora estão se aproximando novas eleições e os políticos repetem tudo como em épocas anteriores, no jargão das promessas e dos conchavos políticos. Pra onde vai a fraca democracia deste nosso país?
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Especulação imobiliária em Fortaleza
Especulação
imobiliária e infraestrutura precária
É bastante visível o
crescimento do setor imobiliário de Fortaleza nos últimos anos, com mudanças na
paisagem urbana. Este setor sempre foi um vetor importante de crescimento da
cidade, aliado ao setor da construção civil. Mas nestes três anos, esta
expansão é um fenômeno que acontece nas grandes cidades brasileiras, por conta
da Copa do Mundo a realizar-se em 2014. Este é um movimento do lado da oferta
de imóveis, as incorporadoras estão apostando na continuidade do crescimento
dos preços, investindo acima da capacidade de venda destes imóveis. Em 2012 o
mercado esteve estagnado por falta de compradores, mas as imobiliárias não
baixaram os preços, trabalhando com ofertas promocionais e negociação de
preços.
Do lado da demanda o
crescimento do crédito imobiliário deu sustentação a este otimismo do setor,
além do crescimento da classe C que estava com a demanda reprimida. Hoje esta
classe está endividada, por isto creio que esta bolha imobiliária tem um tempo
marcado pra terminar, após a Copa. A especulação tem sido muito grande, mas onde
haverá compradores para os enormes condomínios de luxo que estão sendo
construídos no Cocó, Guararapes e em outros bairros da Regional VI?
Caminho diariamente
pelas ruas do Guararapes e observo grandes obras de imóveis em construção, mas
uma ausência de investimentos em infraestrutura: ruas pouco iluminadas,
crateras abertas, fossas abertas em plena avenida, ruas com calçamento precário,
pouca sinalização horizontal e calçadas
extremamente perigosas para quem se atreve a caminhar pelo bairro. A vegetação
que era exuberante está se exaurindo.
Assim é que os
grandes investimentos em infraestrutura em Fortaleza se restringem aos da
mobilidade urbana, por conta da Copa. Não existem projetos em saneamento básico e abastecimento
de água, apenas manutenção do que existe. O problema maior são os impactos
ambientais destas obras de mobilidade urbana, vejamos o exemplo do Cocó, quanto
desmatamento pra se construir um viaduto! Uma cidade que tem a maior densidade
demográfica do país e poucas áreas verdes não pode desconhecer os perigos que
isto representa para o futuro da cidade: aumento da temperatura, redução da
ventilação, deterioração da paisagem urbana e outros mais.
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