Especulação
imobiliária e infraestrutura precária
É bastante visível o
crescimento do setor imobiliário de Fortaleza nos últimos anos, com mudanças na
paisagem urbana. Este setor sempre foi um vetor importante de crescimento da
cidade, aliado ao setor da construção civil. Mas nestes três anos, esta
expansão é um fenômeno que acontece nas grandes cidades brasileiras, por conta
da Copa do Mundo a realizar-se em 2014. Este é um movimento do lado da oferta
de imóveis, as incorporadoras estão apostando na continuidade do crescimento
dos preços, investindo acima da capacidade de venda destes imóveis. Em 2012 o
mercado esteve estagnado por falta de compradores, mas as imobiliárias não
baixaram os preços, trabalhando com ofertas promocionais e negociação de
preços.
Do lado da demanda o
crescimento do crédito imobiliário deu sustentação a este otimismo do setor,
além do crescimento da classe C que estava com a demanda reprimida. Hoje esta
classe está endividada, por isto creio que esta bolha imobiliária tem um tempo
marcado pra terminar, após a Copa. A especulação tem sido muito grande, mas onde
haverá compradores para os enormes condomínios de luxo que estão sendo
construídos no Cocó, Guararapes e em outros bairros da Regional VI?
Caminho diariamente
pelas ruas do Guararapes e observo grandes obras de imóveis em construção, mas
uma ausência de investimentos em infraestrutura: ruas pouco iluminadas,
crateras abertas, fossas abertas em plena avenida, ruas com calçamento precário,
pouca sinalização horizontal e calçadas
extremamente perigosas para quem se atreve a caminhar pelo bairro. A vegetação
que era exuberante está se exaurindo.
Assim é que os
grandes investimentos em infraestrutura em Fortaleza se restringem aos da
mobilidade urbana, por conta da Copa. Não existem projetos em saneamento básico e abastecimento
de água, apenas manutenção do que existe. O problema maior são os impactos
ambientais destas obras de mobilidade urbana, vejamos o exemplo do Cocó, quanto
desmatamento pra se construir um viaduto! Uma cidade que tem a maior densidade
demográfica do país e poucas áreas verdes não pode desconhecer os perigos que
isto representa para o futuro da cidade: aumento da temperatura, redução da
ventilação, deterioração da paisagem urbana e outros mais.
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