sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Especulação imobiliária em Fortaleza


Especulação imobiliária e infraestrutura precária  

É bastante visível o crescimento do setor imobiliário de Fortaleza nos últimos anos, com mudanças na paisagem urbana. Este setor sempre foi um vetor importante de crescimento da cidade, aliado ao setor da construção civil. Mas nestes três anos, esta expansão é um fenômeno que acontece nas grandes cidades brasileiras, por conta da Copa do Mundo a realizar-se em 2014. Este é um movimento do lado da oferta de imóveis, as incorporadoras estão apostando na continuidade do crescimento dos preços, investindo acima da capacidade de venda destes imóveis. Em 2012 o mercado esteve estagnado por falta de compradores, mas as imobiliárias não baixaram os preços, trabalhando com ofertas promocionais e negociação de preços.

Do lado da demanda o crescimento do crédito imobiliário deu sustentação a este otimismo do setor, além do crescimento da classe C que estava com a demanda reprimida. Hoje esta classe está endividada, por isto creio que esta bolha imobiliária tem um tempo marcado pra terminar, após a Copa. A especulação tem sido muito grande, mas onde haverá compradores para os enormes condomínios de luxo que estão sendo construídos no Cocó, Guararapes e em outros bairros da Regional VI?

Caminho diariamente pelas ruas do Guararapes e observo grandes obras de imóveis em construção, mas uma ausência de investimentos em infraestrutura: ruas pouco iluminadas, crateras abertas, fossas abertas em plena avenida, ruas com calçamento precário, pouca  sinalização horizontal e calçadas extremamente perigosas para quem se atreve a caminhar pelo bairro. A vegetação que era exuberante está se exaurindo.

Assim é que os grandes investimentos em infraestrutura em Fortaleza se restringem aos da mobilidade urbana, por conta da Copa. Não existem  projetos em saneamento básico e abastecimento de água, apenas manutenção do que existe. O problema maior são os impactos ambientais destas obras de mobilidade urbana, vejamos o exemplo do Cocó, quanto desmatamento pra se construir um viaduto! Uma cidade que tem a maior densidade demográfica do país e poucas áreas verdes não pode desconhecer os perigos que isto representa para o futuro da cidade: aumento da temperatura, redução da ventilação, deterioração da paisagem urbana e outros mais.

 

 

 

 

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